Vim das plagas de outroraMeu destino fi cou incertoConheci desvãos no trajetoLidei com seres humanos,Animais dóceis e ferozesFiz da vida o tempo de espera,Os degraus da subidaforam íngremes. A descidaNum sopro abrupto.Paisagens, belezas, outros mundos,Novos povos, novas línguas.Trabalhos certos, incertos, percalços.Não discuto religiosidadeCaminha a humanidade nadébil fi losofi a.Há um lusco-fusco de idéiasTudo se perde, tudo se transforma.Aprende-se o disponível das palavras,O restante é vão, assaz perdível.Lutas intestinas e milenares.O atraso do mundo na ambição.A licenciosidade é um imperativo,Mas a fome e a miséria persistem.Aqui, o animal humano é desprezível.Egoísmo, vaidade e luxúria desmedidasSofrimento alheio descuidado.Mulheres que se entregam fácil;A vaidade outorga a liberalidadeParece a fi nalização de princípiosVivi todo esse tempo; vi o certo e o erradoSou de eras longínquasNão sou copta, judeu ou islâmicoSou um homem do mundoAmo a vida e a naturezaCurei psicoses e feridas infi ndasPratiquei a caridade e a decênciaHoje, o tempo da minha vida se esvaiuIrei de novo e quem sabe voltarei,com novas idéias, no novo mundo, nova vida
" Dr.Afiz Sadi" 1924 - 2010


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